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2026-06-11

Análise de placas de extremidade espessas e múltiplos parafusos por fileira com o módulo de ligações de aço para RFEM

Este estudo investiga a verificação de ligações de aço conforme implementadas no RFEM para a análise de chapas de extremidade estendidas espessas e múltiplos parafusos por linha. O comportamento estrutural e o desempenho dessas ligações são avaliados em relação às disposições de dimensionamento do Eurocódigo 3 (EC3) e comparados com um Modelo de Elementos Finitos Orientado à Investigação (ROFEM), previamente validado por meio de ensaios experimentais.

Modelo Analítico

Este estudo adota os critérios de dimensionamento especificados na EN 1993-1-8 para avaliar a resistência dos parafusos (corte e tração) e a resistência das placas (esmagamento e punçoamento), utilizando as formulações de estados-limite fornecidas na Tabela 3.4.

A resistência de cálculo do T-stub equivalente é avaliada independentemente para os componentes da placa de extremidade e da mesa do pilar. Para cada componente, a resistência de cálculo condicionante, FT,Rd, é definida como o valor mínimo derivado de três mecanismos de rotura potenciais.

A resistência individual para cada modo é calculada com base na capacidade de momento plástico da mesa (Mpl,1Rd e Mpl,2,Rd) e na resistência à tração do grupo de parafusos (∑Ft,Rd). Estes modos contemplam a cedência completa da mesa (Modo 1), a rotura do parafuso associada à cedência da mesa (Modo 2) e a fratura pura do parafuso (Modo 3).

  • Modos de Rotura:
  • Momentos Resistentes Plásticos:

Detalhes Geométricos da Ligação Viga-Pilar

Em conformidade com a prática construtiva corrente, todas as vigas e pilares foram fabricados em aço S235, enquanto as placas de extremidade utilizaram aço de maior resistência S355. As configurações geométricas, incluindo a disposição da placa de extremidade e dos grupos de parafusos, são detalhadas na Imagem 2, com a correspondente matriz de ensaios experimentais e as propriedades medidas dos materiais fornecidas nas Tabelas 1, respetivamente.

Conforme definido na matriz de ensaios, o Grupo A (provetes 1A–3A) utilizou uma secção de pilar HEA 300 (tw = 8,5 mm; tf = 14 mm), enquanto o Grupo B incorporou a secção mais pesada HEB 300 (tw = 11 mm; tf = 19 mm). Para avaliar o desempenho de uma hierarquia pilar fraco-viga forte, foram mantidas uma secção de viga uniforme HEB 300 e placas de extremidade de 30 mm de espessura em todos os provetes, assegurando que as configurações do Grupo A fossem críticas no pilar.

  • Tabela 1: Configuração Geométrica dos Provetes Ensaiados
Provetes Secção do Pilar Secção da Viga N.º de Parafusos Comprimento do Pilar Comprimento da Viga
T1A HEA 300 HEB 300 12 2 1,5
T2A HEA 300 HEB 300 6 2 1,5
T3A HEA 300 HEB 300 8 2 1,5
T1B HEB 300 HEB 300 12 2 1,5
T2B HEB 300 HEB 300 6 2 1,5
T3B HEB 300 HEB 300 8 2 1,5

Discussão

Ligações de Aço para Solução RFEM

Utilizando o módulo Steel Joints baseado em EF para o RFEM 6, o processo de dimensionamento da ligação foi totalmente integrado no modelo estrutural principal. Este estudo apresenta uma investigação experimental e numérica do desempenho estrutural de seis ligações viga-pilar com placa de extremidade espessa estendida, com especial ênfase na influência de configurações de aparafusamento não convencionais envolvendo múltiplos parafusos por fiada. Para isolar a rigidez rotacional inerente da zona nodal, todos os provetes foram configurados sem reforços suplementares da alma do pilar. A matriz experimental interrogou duas hierarquias de rotura distintas: (1) uma configuração pilar fraco/viga forte (pilar HEA300; viga HEB300) e (2) uma configuração de rigidez equilibrada (pilar e viga HEB300).

Estas investigações foram complementadas por uma caracterização direcionada do T-stub e por análises de elementos finitos (EF) de alta fidelidade. Após validação com dados experimentais e verificação através dos quadros do Eurocódigo 3 (EC3), os modelos EF foram utilizados para extrair informações granulares sobre os mecanismos de deformação localizados. As Imagens 4 e 5 e as Tabelas 2 e 3 ilustram a comparação da resistência ao momento e da rigidez – Experimental, ROFEM, Steel Joints no RFEM em relação ao EC3. E a Tabela 4 ilustra os modos de rotura.

  • Tabela 2: Comparação da Resistência ao Momento, Rigidez – Experimental, ROFEM, Steel Joints no RFEM e EC3-1-8
Ensaios Experimentais
Provete N.º de Parafusos Momento kN m, Mj.R Rigidez Inicial Sj,ini (MNm/rad)
T1A 12 193,5 26,34
T2A 6 122,1 12,35
T3A 8 109,8 14,27
T1B 12 262,4 22,31
T2B 6 196,4 17,58
T3B 8 161,3 27,28

Método das Componentes EC3-1-8
Provete N.º de Parafusos Momento kN m, Mj.R Rigidez Inicial Sj,ini (MNm/rad)
T1A 12 114 33
T2A 6 108,8 27,42
T3A 8 64,7 18,87
T1B 12 162,6 41,83
T2B 6 156,5 38,96
T3B 8 81,1 23,82

ROFEM
Provete N.º de Parafusos Momento kN m, Mj.R Rigidez Inicial Sj,ini (MNm/rad)
T1A 12 179,3 19,5
T2A 6 107,3 9,14
T3A 8 96,9 5,81
T1B 12 261,9 23,8
T2B 6 190,2 17,67
T3B 8 177 16,36

RFEM Steel Joints
Provete N.º de parafusos Momento kN m, Mj.R EC3/RFEM
T1A 12 154,57 0,74
T2A 6 115,42 0,94
T3A 8 97,13 0,67
T1B 12 197,5 0,82
T2B 6 172,8 0,91
T3B 8 137,63 0,59

  • Tabela 3: Comparação de Rigidez
RFEM Steel Joints
Provete N.º de Parafusos Rigidez Inicial Sj,ini (MNm/rad) EC3/RFEM
T1A 12 13,4 2,46
T2A 6 8,2 3,34
T3A 8 11,5 1,64
T1B 12 18,8 2,23
T2B 6 12,5 3,12
T3B 8 16,9 1,41

  • Tabela 4: Modos de Rotura
Provete EC3 Steel Joints no RFEM Ensaios
T1A Flexão da mesa do pilar Flexão da mesa do pilar Flexão da mesa do pilar
T2A Flexão da mesa do pilar Flexão da mesa do pilar Flexão da mesa do pilar
T3A Flexão da mesa do pilar Flexão da mesa do pilar Flexão da mesa do pilar
T1B Flexão da mesa do pilar Flexão da mesa do pilar Flexão da mesa do pilar
T2B Flexão da mesa do pilar Flexão da mesa do pilar Flexão da mesa do pilar
T3B Flexão da mesa do pilar Flexão da mesa do pilar Flexão da mesa do pilar

Conclusão

Dados experimentais preliminares foram utilizados para avaliar a aplicabilidade das disposições da EN 1993-1-8 às Ligações de Aço. Em linha com os resultados reportados para elementos convencionais de aço-carbono, verificou-se que o modelo de rigidez do Eurocódigo sobrestima a rigidez rotacional inicial, com as previsões analíticas a demonstrarem uma dispersão considerável relativamente aos valores medidos.

Os resultados experimentais confirmam que tanto a resistência ao momento como a rigidez inicial aumentam com o número de parafusos, com os provetes de 12 parafusos (T1A, T1B) a superarem consistentemente os equivalentes de 6 e 8 parafusos. O método das componentes do EC3-1-8 subestima geralmente a capacidade de momento, enquanto sobrestima a rigidez inicial, de forma mais notória para o T1B (41,83 vs. 22,31 MNm/rad), consistente com a tendência de sobrestimação observada no âmbito da EN 1993-1-8.

Os rácios EC3/RFEM, variando de 0,59 a 0,94, indicam previsões conservadoras da resistência ao momento pelo método das componentes do Eurocódigo, com o baixo rácio para o T3B (0,59) a sugerir uma subestimação significativa para certas geometrias de ligação.


Referências


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